sexta-feira, dezembro 22, 2006

Ignacio Ramonet é um pulha!

Vi hoje à venda numa livraria de Lisboa um livro de cerca de 800 páginas, e traduzido para português, da autoria de Ignacio Ramonet, sobre a vida e obra de Fidel Castro.

Com o que se sabe hoje sobre a miserável ditadura cubana, um homem que escreve um livro laudatório sobre esse bandido só pode ser um pulha.

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sábado, novembro 04, 2006

Escandalosa mesmo é esta lista

Todos criticam o Ministro Mário Lino por ter mandado fazer um estudo a uma empresa de um amigo, ou melhor (segundo a primeira página do Público de hoje), por já em 2001 ter assinado enquanto Presidente das Águas de Portugal, um contrato por quatro anos com a firma 9F Consulting no dia seguinte ao da sua constituição como sociedade. O Ministro acha tudo isto natural. Aparentemente não tinha mais a quem encomendar o estudo.

O que não é natural é a lista das Instituições Estatais com capacidade para fazer este estudo, e que nem sequer foram chamadas. São elas, segundo a lista publicada por José Mexia no blogue Nortadas que passo a citar:

GMOPTC - Gabinete do Ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações
GSEAOPC - Gabinete do Secretário de Estado Adjunto, das Obras Públicas e das Comunicações
GSET - Gabinete da Secretária de Estado dos Transportes
AA - Auditoria Ambiental
AMT Lisboa - Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa, E.P.E.
AMT Porto - Autoridade Metropolitana de Transportes do Porto, E.P.E.
ANA - Aeroportos de Portugal S.A.
ANAM - Aeroportos e Navegação Aérea da Madeira, S.A.
APA - Administração do Porto de Aveiro, S.A.
APDL - Administração dos Portos do Douro e Leixões, S.A.
APL - Administração do Porto de Lisboa, S.A.
APS - Administração do Porto de Sines, S.A.
APSS - Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, S.A.
ASP25ABRIL - Autoridade de Segurança da Ponte de 25 de Abril
CARRIS - Companhia Carris de Ferro de Lisboa, S.A.
CNPTM - Conselho Nacional dos Portos e dos Transportes Marítimos
CP - Caminhos de Ferro Portugueses, E.P.
CPEC - Comissão de Planeamento de Emergência das Comunicações
CPETA - Comissão de Planeamento de Emergência do Transporte Aéreo
CPETM - Comissão de Planeamento de Emergência do Transporte Marítimo
CPETT - Comissão de Planeamento de Emergência dos Transportes Terrestres
CSOPT - Conselho Superior de Obras Públicas e Transportes
CTRINM - Comissão Técnica do Registo Internacional de Navios da Madeira - MAR
CTT - Correios de Portugal, S.A.
DGTTF - Direcção-Geral de Transportes Terrestres e Fluviais
EDAB - Empresa de Desenvolvimento do Aeroporto de Beja, S.A.
ENIDH - Escola Náutica Infante D. Henrique
EP - Estradas de Portugal, E.P.E.
GABLOGIS - Gabinete para o Desenvolvimento do Sistema Logístico Nacional
GAERE - Gabinete de Assuntos Europeus e Relações Externas
GEP - Gabinete de Estudos e Planeamento
GPIAA - Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves
ICP-ANACOM - Autoridade Nacional de Comunicações
IGOP - Inspecção-Geral das Obras Públicas
IMOPPI - Instituto dos Mercados de Obras Públicas e Particulares e do Imobiliário, I.P.
INAC - Instituto Nacional de Aviação Civil, I.P.
INTF - Instituto Nacional do Transporte Ferroviário, I.P.
IOAT - Intervenção Operacional de Acessibilidades e Transportes IPTM - Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, I.P.
LNEC - Laboratório Nacional de Engenharia Civil
ML - Metropolitano de Lisboa, E.P.
MM - Metro-Mondego, S.A.
MP - Metro do Porto, S.A.
MST - Gabinete do Metro Sul do Tejo
NAER - Novo Aeroporto, S.A.
NAV Portugal - Navegação Aérea de Portugal, E.P.E.
OSMOP - Obra Social do Ministério das Obras Públicas, I.P.
PT - Portugal Telecom, SGPS, S.A.
RAVE - Rede Ferroviária de Alta Velocidade, S.A.
REFER - Rede Ferroviária Nacional – REFER, E.P.
SG - Secretaria-Geral
SILOPOR - Empresa de Silos Portuário, S.A.
STCP - Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, S.A.
TAP - Transportes Aéreos Portugueses, SGPS, S.A.
TRANSTEJO - Transportes Tejo, S.A.
TTT - Equipa de Missão da Terceira Travessia do Tejo

Temos, por exemplo o;

CSOPT - Conselho Superior de Obras Públicas e Transportes

Que, além de outras, tem as seguintes atribuições:

- A emissão de pareceres de carácter técnico nos domínios das obras públicas, transportes, ordenamento do território e da indústria da construção;
- A elaboração, acompanhamento e actualização de regulamentação técnica relativa à construção, obras públicas e transportes.

Temos também, por exemplo o;

DGTTF - Direcção-Geral de Transportes Terrestres e Fluviais

Que tem na sua Natureza/Denominação:

A Direcção-Geral de Transportes Terrestres e Fluviais, abreviadamente designada por DGTTF, tem por missão promover, de forma a satisfazer as necessidades de mobilidade e de acessibilidade, o desenvolvimento do sistema de transportes rodoviários e fluvial, assegurar o seu funcionamento, bem como a sua articulação interna e a coordenação com os restantes modos de transporte, colaborando na definição global para o sector dos transportes.

Já agora, dou o exemplo do;

GEP Gabinete de Estudos e Planeamento

Que curiosamente diz na sua Natureza/denominação:

O Gabinete de Estudos e Planeamento (GEP) é o serviço de planeamento e programação do investimento público no âmbito do MOPTC, que assegura as funções comuns de estudo, concepção e análise da estratégia de desenvolvimento nas áreas de intervenção do Ministério, nomeadamente no que concerne ao apoio técnico económico ao exercício da tutela governamental e à política de investimento e respectivo financiamento.

E depois, esta pequena pérola do nosso estado, que com 7 (sete) administradores, não tem nenhum capaz de fazer um pequeno estudo;

EP - Estradas de Portugal, E.P.E
Que, imaginem lá, tem por missão:

A EP- Estradas de Portugal, E.P.E., tem por objecto a prestação do serviço público, em moldes empresariais, de planeamento, gestão, desenvolvimento e execução da política de infra-estruturas rodoviárias definida no Plano Rodoviário Nacional.

Incluem-se ainda no objecto da EP- Estradas de Portugal, E.P.E.:

a) Assegurar a concepção, a construção, a conservação e a exploração da rede rodoviária nacional.

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terça-feira, outubro 17, 2006

Guatemala versus Venezuela para o Conselho de Segurança da ONU

aqui escrevi antes sobre a disputadíssima votação que tem oposto a Guatemala e a Venezuela para o lugar de membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU. São quinze membros no total, dez dos quais não permanentes e eleitos por um período de dois anos.

Cabia, por tradição de rotatividade da ONU, a vez à Guatemala de assumir o lugar, mas Hugo Chavez não sabe nem pode esperar. A visibilidade que lhe é dada pela plateia de uma assembleia mundial é demasiado importante. O lugar parece ser feito para ele e calha a matar para consumo interno. Precisa mesmo assim de contar com 124 votos, dois terços do total.

A votação tem decorrido assim:

Guatemala 109, Venezuela 76
Guatemala 114, Venezuela 74
Guatemala 116, Venezuela 60
Guatemala 110, Venezuela 75
Guatemala 103, Venezuela 83
Guatemala 93, Venezuela 93
Guatemala 96, Venezuela 89
Guatemala 102, Venezuela 85
Guatemala 107, Venezuela 81
Guatemala 110, Venezuela 77

e assim ao fim de dez rodadas estamos como no primeiro dia. É possível que surja um candidato de compromisso para que a Venezuela possa salvar a face. Uma brincadeira. Amanhã há mais.

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quinta-feira, setembro 14, 2006

Teorias conspirativas sobre o Onze de Setembro

Ultimamente tem aparecido menos gente a garantir ter visto o Elvis Presley a passear incógnito pelas ruas de Memphis. Todos os outros se mudaram para um novo mistério que tem a ver com o planeamento por Bush e seus capangas da destruição com misseis e rebentamentos retardados, das torres gémeas em Nova Iorque, e a subsequente destruição de quase três mil vidas humanas.

Respondam-me por favor a estas simples perguntas:

1. Porque ainda está vivo tendo conseguido mesmo montar o filme, Dylan Avery, o autor do "Loose Change"? Terá Bush cometido um erro fatal em não o ter também mandado matar?

2.
Que se passará na cabeça de Ossama Bin Laden, o homem que está convencido que foi ele quem mandou deitar abaixo as torres? Será que está a viver em plena paranoia?

3. Que aconteceu aos aviões e aos seus passageiros todos desaparecidos do ceu da América? As famílias aguardam angustiadas.

4. Qual foi o móbil do crime?

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terça-feira, setembro 12, 2006

911

In memoriam

Aqueles que julgam que o 11 de Setembro de 2001 foi um dia como outro qualquer, que pensem no que estavam a fazer nesse dia quando viram ou ouviram as notícias. Se souberem a resposta, é porque essa data os marcou definitivamente. Só guardamos essa memória com acontecimentos verdadeiramente marcantes para a nossa vida.

NB:
- Também aqueles que criticam George W. Bush por ser o causador de todos os males do mundo, lembrem-se que ele não foi eleito para governar o mundo, nem sequer para nos agradar, mas exclusivamente para governar a América e agradar aos americanos. Estes tem de lhe estar gratos por há cinco anos não sofrerem um atentado no seu território. E a Dick Cheney, que na sombra tem corrigido muitos dos disparates do W.

- Ouvir
a ignorância vergonhosa do Dr. Mario Soares a falar sobre as causas do terrorismo é simplesmente patético.

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domingo, agosto 13, 2006

A esquerda conhece Marx?

A esquerda radical não conhece Marx.

A ideia central do pensamento de Karl Marx (v. Manifesto do Partido Comunista) é de que as ideias dominantes de uma época são as ideias da classe dominante. Porque a classe dominante é a classe social que detém o poder económico, e quem detém o poder económico determina o pensamento da sociedade.

Nada mais verdadeiro se aplicamos esta ideia ao que se passa no mundo árabe dominado pelo Islão. A classe dominante (religiosos, chefes tribais, militares, comerciantes), impõe às classes dominadas um sistema de vida que é feito na base da submissão (em àrabe: islam) e aceitação das ideias dessas classes. Submissão e aceitação do facto de muitos homens não encontrarem parceira (a poligamia impõe que muitos homens não consigam procriar), submissão do sexo feminino ao poder do sexo masculino e a virtual eliminação dos direitos das mulheres, submissão e aceitação das regras e preceitos religiosos que impõe um estrito controle social, submissão e aceitação da vontade autoritária do chefe, do emir, do sheick, ou do íman.

Tudo isto parecem ser ideias caras à esquerda moderna (?!), e por esse motivo o seu apoio aos movimentos religiosos integristas islâmicos, e à perpetuação deste estado de coisas. Nada mais estranho à esquerda radical moderna do que a ideia de democracia para os estados árabes. Não se lê um escrito, uma ideia, um debate sobre o assunto. Não se lê um escrito, uma ideia, um debate sequer sobre o problema central da liberdade.

Porque a esquerda não só não leu Marx, como não se interessa pelo marxismo. O marxismo é apenas uma bandeira sem conteúdo. O pensamento moderno de esquerda é o fruto da sociedade capitalista e de consumo que a esquerda abomina. Não nos devíamos admirar portanto que para a esquerda radical o Islão tenha o mesmo efeito que o comunismo: uma ilusória promessa de paraíso para os descontentes. Algo que a religião católica já não promete.

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