quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Infelizmente é sempre preciso lembrar que

...o progresso civilizacional implica não só a liberdade política como também a liberdade económica, ou seja para haver democracia tem de haver economia de mercado. As duas liberdades são paralelas e inseparáveis, e não vale a pena promover a existência da primeira escamoteando a necessidade da segunda porque isso não resulta.

Bastaria para isso estar atento ao que se passou na Europa com os paraísos socialistas do século XX, na América do Sul com as experiências, passadas e em curso, com o populismo demagógico, e na Ásia com a emergência das economias de mercado, mas a fé cega na regulamentação dos mercados e na intervenção do estado protector na economia, suplanta toda a evidência.

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sábado, janeiro 27, 2007

O que está em causa

No Iraque, como na Palestina ou no resto do Médio Oriente, o que está realmente em causa? O que está em causa independentemente de todas as desculpas que se possam querer dar, verdadeiramente o que está em causa é a liberdade. A nossa liberdade, a liberdade do que chamamos mundo ocidental. A nossa liberdade, a nossa civilização contra a barbárie.

Só haverá paz no Médio Oriente, da Algéria à Siria, da Palestina ao Iraque, da Líbia ao Egipto, quando esses países forem democracias, quando esses povos tiverem a oportunidade de escolher o seu destino, quando terminarem as tiranias que enriquecem os seus dirigentes e as empresas do ocidente e do oriente que os alimentam. Quando esses países adoptarem a economia do mercado como fonte de progresso para todos. Quando os seus povos passarem da condição de súbditos a cidadãos. Enquanto isso não suceder o Médio Oriente será sempre o ninho de intrigas, de guerras e de atrocidades que caracterizam esse lugar geográfico desde tempos imemoriais.

É curioso observar que todos os inimigos da liberdade estão, sem excepção, aliados contra a política americana no Iraque. Todos usam o argumento que estão contra Bush, por causa do seu unilateralismo imperial e dos manifestos interesses do petróleo, mas na realidade sabem bem que estão a atacar o coração da única democracia que existe no planeta com mais de cem anos de existência. E não suportam que essa democracia lhes estrague o negócio.

Todos os inimigos da liberdade estiveram ontem contra a acção da NATO na Sérvia, defendendo sem vergonha a continuação dos campos de morte de Milosevic, contra a mesma NATO no Afeganistão, e estão hoje contra o envio de soldados da ONU para o Sudão (deixem-nos morrer porque são pobres e pretos), contra a aplicação de sanções ao Irão (bomba atómica? e depois? Israel não merece levar com uma bomba atómica?), contra sanções à Coreia do Norte (é o sistema que eles escolheram e não nos devemos intrometer na sua política interna), ou ainda e sobretudo contra qualquer acção que possa por em causa o status quo do Mundo Islâmico.

Para os ocidentais teria sempre sido mais importante continuar com a negociatas entre as empresas e os governos corruptos, e assim fechar os olhos aos gaseamentos dos curdos, à perseguição da maioria shiita no Iraque, aos campos de concentração e valas comuns do regime de Saddam, enquanto este continuava a comprar Ferraris e Aston Martin para os seus filhos. Durante os últimos quarenta anos o ocidente comprou biliões e biliões de dólares de petróleo, e no entanto em todos os países árabes não existe uma só empresa de renome, um só empresário conhecido. O petróleo transformou-se em palácios e imobiliário no sul de Espanha e de França, em contas na Suíça, e na continuação de mais miséria para os povos árabes. A liberdade eles não sabem o que é, e os seus dirigentes nem os deixam falar nisso. É como se tratasse de pornografia para menores, e nós colaboramos nisso. Mas nós quem?

O mundo ocidental está à beira do colapso demográfico e civilizacional, e o auto-intitulado quarto poder é o maior responsável por criar uma nuvem de fumo, um clima de espectáculo em que a emoção se sobrepõe à razão, a imagem gráfica se sobrepõe à analise fria dos factos. Damos demasiada importância às imagens que aparecem na televisão e à opinião de comentadores sem credenciais, com o argumento que é necessário ouvir as duas partes. O criminoso e a vítima. Sem distinguir o peso moral de um e de outro, porque para eles a moral não existe.

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domingo, dezembro 17, 2006

Coisa excepcionias que se passam impunemente neste país

O comunicado nº 7/2006 da ERC, Entidade Reguladora da Comunicação Social, eufemístico nome dado agora à antiga Autoridade Reguladora, sobre o caso Eduardo Cintra Torres no Público, e o ataque descarado ao director do jornal, é revelador de uma atitude autoritária, fascista, totalitarista, patronizadora, de como se deve comportar a Comunicação Social. Os senhores do Conselho Regulador da referida Entidade, a saber

Presidente Prof. Doutor José Alberto de Azeredo Lopes
Vice-Presidente
Dr. Elísio Cabral de Oliveira
Vogal
Prof. Doutora Maria Estrela Serrano
VogalDr. Luis Gonçalves da Silva
Vogal
Dr. Rui Assis Ferreira

deviam-se demitir ou ser imediatamente demitidos, só e apenas pelas brutalidades que subscreveram.

Subscrevo a propósito disso a opinião expressa por Pacheco Pereira sobre o assunto: é a favor da minha liberdade de escrever o que penso, sujeito apenas à lei comum nas suas consequências, e não dou à ERC qualquer direito de censurar, adjectivar ou ironizar sobre as minhas posições. Aceito isso de qualquer leitor, com razão ou sem ela, não do Estado.

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quinta-feira, novembro 16, 2006

Milton Friedman, 1912-2006

Como disse num post anterior, ele foi um dos homens, senão o homem que mais influenciou a minha vida. Morreu hoje com 96 anos.

Foi o primeiro a falar em cheque ensino, foi o primeiro a falar em imposto de rendimento negativo, foi o primeiro a demonstrar que na origem da inflação estava o Estado gastador, foi o primeiro a demonstrar a falácia do modelo do Estado Social, baseado num esquema de pirâmide à Dona Branca.

Foi um dos maiores economistas do século passado, galardoado com um Nobel, foi um grande activista do capitalismo liberal, depois de ter sido um keynesiano convicto, foi um exemplo de vida com a sua mulher Rose, um consultor de governos, fundador de uma escola de pensamento sobre o monetarismo, um grande professor, um grande comunicador, um homem que fará muita falta, e que deixou uma obra imensa, por todo o mundo, ainda não inteiramente reconhecida.

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segunda-feira, novembro 06, 2006

O Fim do Mundo Tal Qual O Conhecemos

Considere-se esta frase:

"Muito do que chamamos vulgarmente mundo ocidental não sobreviverá ao século XXI, e muito dele desaparecerá durante as nossa vidas, incluindo muitos, senão quase todos os países europeus. Haverá provavelmente nos mapas um local onde está escrito Itália ou Holanda,- provavelmente - assim como em Istambul há um local chamado de Hagia Sofia, ou Catedral de Santa Sofia. Mas não é uma catedral. É um prédio urbano. Assim A Itália ou a Holanda serão apenas designações prediais."

Ou esta:

"Uma das mais óbvias refutações da tese de Francis Fukuyama sobre "O Fim da História", escrita após a vitória da democracia pluralista ocidental sobre o comunismo soviético, foi a de que os vencedores não viram a vitória como tal. Os Americanos - ou pelo menos aqueles que não votam pelos Democráticos- podem falar sobre o terem "ganho" a Guerra Fria, mas os Franceses ou os Belgas ou os Alemães ou os Canadianos não o fazem. Poucos Britânicos o fazem. E todos eles são aliados formais na NATO. Estavam tecnicamente do mesmo lado na luta contra uma tirania que poucos deles escolheriam para viver. Na Europa houve um momento inicial de euforia: era difícil não se emocionar ao ver as multidões saltarem para este lado do Muro de Berlim ...mas quando passou a emoção inicial no continente europeu não houve nunca a sensação de que a nossa Grande Ideia tinha batido a Grande Ideia deles."

Ou esta:

"Qual é a percentagem de população muçulmana em Roterdão? 40%. Qual é o mais popular nome de rapaz dado na Bélgica? Maomé. E em Amesterdão? Maomé. Em Malmoe na Suécia? Maomé. E no Reino Unido em 2005 era o quinto nome mais popular."

"Não temos ainda uma estratégia para lidar com a ideologia muçulmana. De facto muitos dos nossos lideres e recusam-se mesmo a aceitar que se trate de uma ideologia". "O que faz a jihad ter alcance global? Quem os paga? O Wahhabismo é a ideologia formal da Arábia Saudita, e é exportado para maravilhosas escolas para todo o mundo, e como resultado disso populações inteiras de muçulmanos moderados desde os Balcãs até à Ásia do Sul foram dramaticamente radicalizados"."E quem paga isso? Nós. Nos cinco anos após o 11 de Setembro o preço do barril de petróleo passou dos doze para mais de setenta dólares, ou seja se você é vendedor de petróleo as suas receitas aumentaram cinco vezes"."A Arábia Saudita que exporta 10 milhões de barris por dia, tem à sua disposição 500 milhões de dólares a mais por cada dia. E para onde vai esse dinheiro? O primeiro produto exportado pelos sauditas não é o petróleo, é a ideologia."

ou esta:

"Os dezassete países europeus que baixaram as suas taxas de natalidade para menos de 1,3 embarcaram numa viagem sem precedentes na história para a auto-extinção. Em 2050 haverá 100 milhões a mais de Americanos e 100 milhões a menos de Europeus. Um desastre demográfico é qualquer coisa que nos passa debaixo do nariz. Ficamos a estudar até completarmos os 38, reformamo-nos precocemente aos 45, dois meses de férias por ano na Côte d'Azur, bebemos vinho e comemos foie gras, fazemos manifestações para a semana de 28 horas de trabalho semanal, gozamos tanto a vida que não temos tempo para fazer filhos. Outros que os tenham... Mas o mais estranho é que os europeus não são felizes...Hilaire Belloc expôs isso bem claramente no seu livro "The Servile State" em 1912, muito antes de se falar na musica de discos ou em teenagers. Ele percebeu que o preço a pagar pelo estado social é a infantilização das populações. As populações das sociedades democráticas ocidentais esperam poder escolher os pacotes de TV, mas deixam ao cuidado do Estado a escolha dos seus cuidados de saúde".

O autor destas frases é Mark Steyn e o livro de que tiro citações intitula-se America Alone -the end of the world as we know it, ( ed. Regnery Publishing, Inc., 2006 Washington, 224 páginas). O autor entre centenas de citações lembra uma frase de Hussein Massawi, antigo dirigente do Hezbollah, que diz tudo:

"Não lutamos para que vocês nos ofereçam alguma coisa. Lutamos para vos eliminar".

Como resolver o imbróglio? Resumo de seguida uma extensa descrição, mas recomendo sobretudo a leitura do livro:

Três soluções possíveis para os problemas do presente:

1. Submissão ao Islão
2. Destruir o Islão
3. Reformar o Islão

Como não aceitamos seriamente a primeira opção, estamos na dúvida em aceitar a segunda e terceira opções. A segunda opção não é viável, por inexequível. A terceira é. Mas compete aos muçulmanos reformar a sua religião. Nós apenas podemos criar as condições para tal. Como? O autor adianta dez sugestões que resumo de seguida:

1. Auxiliando os movimentos de emancipação das mulheres . É a maior vulnerabilidade do Islão, mas não pode ser endereçada por movimentos feministas à ocidental.
2. Lutando contra o Wahhabismo, Shiismo iraniano e outras exportações ideológicas dessas seitas.
3. Suportando a luta pela liberdade económica e política no mundo islâmico. Um mau governo eleito é bem melhor que um governo ditatorial não eleito.
4. Assegurando que os estados islamistas que perseguem os não islamistas são marginalizados nos organismos internacionais.
5. Cortando o financiamento das mesquitas, madrassas, e think tanks provenientes da Arabia Saudita ou Irão.
6. Desenvolvendo uma estratégia mundial para contra atacar o islamismo no plano ideológico.
7. Marginalizando a NATO, a ONU, a Agência para a Energia Atómica, e outros despendendo energias em novas organizações multilaterais orientadas para resultados.
8. Reformulando totalmente a industria da energia, para que não dependamos do petróleo.
9. Acabando com o regime Iraniano.
10. Não esquecendo o recurso à opção militar sempre que surja a oportunidade.

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domingo, outubro 08, 2006

Péricles (495-429 A.C.):

O segredo da Felicidade é a Liberdade,
O segredo da Liberdade é a Coragem.

(citado por Tucídides)

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segunda-feira, agosto 14, 2006

Um Homem que Mudou a minha Vida

Se tenho que nomear alguém digo já que não foi nenhum homem de religião, muito menos Marx, Engels, ou Bakunine. Não foi Platão, Aristóteles ou Santo Agostinho. Não foi Freud, Fukuyama, Aron ou Revel. Não foi sequer Darwin. Se uma pessoa influenciou a minha vida mais do que qualquer outra, foi Milton Friedman, e a sua série de vídeos Free to Choose está agora disponível na net graças ao Google.

Volume 1: Power of the Market
Volume 2: The Tiranny of Control
Volume 3: Anatomy of a Crisis
Volume 4: From Cradle to Grave
Volume 5: Created Equal
Volume 6: What's Wrong with our Schools
Volume 7: Who Protects the Consumer?
Volume 8: Who Protects the Worker?
Volume 9: How to Cure Inflation
Volume 10: How to Stay Free

Pode-se ver uma, duas, muitas vezes, porque pela sua expontaneidade, há sempre algo a aprender.

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